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Mães e agricultoras familiares dão exemplo de persistência e esperança
Dom, 14 de Maio de 2017 07:48
No assentamento Mundo Novo, em Jaguaretama, dezenas de mães mudaram a própria vida e servem de exemplo para região do Vale do Jaguaribe. Elas são as mães da Capritama, a Associação dos Caprinocultores de Jaguaretama: abastecem o Programde Aquisição do Leite (PAA Leite) e vendem o excedente de leite caprino na forma de doces, cocadas, bolos e queijo



No sertão do Ceará, o que vale mesmo é a cabeça de boi. O costume é criar as cabras e os bodes soltos e deixar que eles comam o que houver no caminho seco. Quando falta dinheiro ou carne na mesa do agricultor familiar, o destino é uma forquilha: matar o animal ou levá-lo até a feira em troca de um pouco dinheiro, também conhecido pelo nome de “cheque”. Cada cabra valia 400 reais, explica a dona de casa Maria Jurineide da Silva, e passou a valer “uns mil reais” com a chegada da nova atividade.

A mãe de três filhos já crescidos começou a trabalhar com a caprinocultura leiteira a partir dos cursos e das capacitações realizadas pelos técnicos da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e, de cara, pegou gosto. No final do ano passado, até como reconhecimento do esforço realizado diariamente pelas mães da Associação dos Caprinocultores de Jaguaretama (Capritama), foram entregues dez matrizes de cabras leiteiras e um reprodutor para cada uma das 30 famílias atendidas.

A produção de leite caprino no assentamento Mundo Novo aumentou e, com o excedente, deu para investir um pouco mais na fabricação de doces, cocadas e no queijo. O destino sertanejo de ser eterna dona de casa mudou e veio acompanhado da admiração do marido, o “Eudinho”, que deixou para o filho as corridas de vaquejada e construiu para a esposa um cercado e uma plataforma para ordenhar as cabras da família.


“Foi bom porque é mais um dinheiro que entra pra dentro de casa e a gente não tinha isso daqui (a plataforma), não.  A nossa renda era só de leite bovino e, agora, tirando o leite que vai pro tanque (de resfriamento), dá pra fazer doce e queijo pra vender. Ele (o Eudinho) toda a vida foi louco por criação, mas não tirava o leite. Hoje, vende uma vaca e compra uma cabra”, narra orgulhosa a agricultora familiar de 45 anos. 
 
A cadeia produtiva fortalecida para a comunidade conta ainda com as entregas de kits de higienização da ordenha e de mudas e sementes pelo programa Hora de Plantar. Somente neste ano, foram entregues 300 kg de sorgo e 70 mil raquetes de palma forrageira. De um lado, pesou a preocupação com a qualidade do leite caprino que vai para o tanque que abastece o Programa de Aquisição de Alimentos – Leite (PAA Leite), do outro a qualidade e a sustentabilidade da alimentação do rebanho.

Até as futuras gerações




Mais nova que a esposa de “Eudinho”, o assentamento conta ainda com o exemplo de outra mãe. Mesmo grávida de 7 meses, Eliane Morais da Silva, de 24 anos, promete se manter firme e forte na fabricação de bolos, doces, cocadas e do queijo até bem próximo do nascimento dos gêmeos Luiz Henrique e Luiz Felipe. “Eu me sinto guerreira porque muita gente diz que na gestação tem que parar. Eu, não. Enquanto conseguir trabalhar, vou trabalhar para sustentar a minha família”, reforça.

O pai dela, Francisco Ubiraci da Silva, o “Bira”, é “o pioneiro” da criação das cabras e o marido passou a também se envolver após se juntarem. Com o casamento vieram os dois primeiros filhos e duas cabras como herança para os netos. Líria Cristina, de 8 anos, já ajuda na cozinha e Pedro Henrique, 5 anos, também se envolve na criação dos animais. “O meu menino desde novinho que é no leite de cabra direto, o pescoçinho chega tem o cheirinho”, brinca a mãe.

“O leite de cabra é rico em muita coisa. Os meus meninos desde pequenos que tomam leite de criação e são muito saudáveis. Esse negócio de gripe não é com eles, não, e o teor de gordura é muito menor”, elogia a qualidade do produto.

A receita campeã



“A gente passou a ter criação quando minha filha (a primogênita Ana Caroline, de 12 anos) tinha 4 meses e adoeceu por causa de uma doença no estômago. Aí, tivemos a necessidade e começamos a consumir o leite caprino”, narra a própria história de vida a professora e agricultora familiar Maria Dilaney Neres Bezerra, de 41 anos.

A produtora do queijo campeão da Feira Cearense da Agricultura Familiar (Feceaf) garante que não sabia das benesses do leite caprino na alimentação diária e se diz surpresa com o reconhecimento do próprio talento. “A receita é muito amor, dedicação, tudo junto”, desconversa ao ser questionada sobre a receita do queijo.

“O meu sonho é continuar produzindo e ajudar a minha comunidade a melhorar cada vez mais de vida, porque temos muito o que fazer e ainda somos uma comunidade carente”, conclui nos demonstrando a verdadeira missão para qual já nasceu com primor.

Assessoria de Comunicação da SDA
André Gurjão - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Marina Filgueiras - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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